sábado, 7 de março de 2009

O que é ser professor


O professor é o mediador desse processo de desenvolvimento do aprendiz. Ele tem sim, que preparar sua aula, ter responsabilidade e amar o que faz. Afinal de contas, sabemos que tal profissão não rende muitos lucros e a desvalorização corre solta. Mesmo assim, há os que se dispõe a fazer, como eu, não por dinheiro ou status mas por uma causa maior. Não estamos levando conhecimento e sim trocando conhecimentoS. Não existe essa de "professor sabe tudo". Existe uma troca, uma interação entre aluno e professor na qual, como o professor é possuidor de mais experiências pode, de fato mediar o acesso a informação. Existe muito mais em jogo nessa definição que não recobre apenas ao fato de gostar ou não do que faz. Atuo na área a 17 anos e posso perceber o seguinte: é muito bom ser professora, é muito difícil ser professora, é muito angustiante e ao mesmo tempo muito prazeroso. É algo que nem a Física explica. Mas é bom. E muito necessário. O mais importante no Brasil hoje é reconhecer a classe docente como uma unidade. Precisamos urgentemente da criação de uma Ordem (como a OAB) para impor um certo respeito que se perdeu no tempo. Fazemos licenciatura para atuar como professores e temos bacharéis tomando nossos cargos. Precisa organizar, precisa de união. Acho que escrevi demais. Isso porque não me viram falando...

Um comentário:

  1. Alfabetizar para além das cartilhas é alfabetizar para o mundo.
    O renomado educador brasileiro Paulo Freire jamais concordou com práticas educacionais que transmitissem aos sujeitos um saber já construído. Ele acreditava que o ato de educar deve contemplar o pensar e o concluir, contrapondo a simples reprodução de idéias impostas - alfabetização deveria ser sinônimo de reflexão, argumentação, criticidade e politilização.
    Se em práticas educacionais envolvendo alfabetização em níveis de escolaridades "adequados", metodologias tradicionais de ensino não despertam interesse do educando, no EJA estas ações são um convite a evasão escolar.
    Ao pensar em alfabetização de adultos, Freire considerou a ausência de sentido presente nas lições das cartilhas, com frases desvinculadas da realidade do alfabetizando - que após trabalhar o dia todo, sentava em uma cadeira, preocupado com o gás, a água, a energia elétrica, o alimento e o salário do mês - e ouvia frases como "O boi baba e bebe" ou "Vovô viu a uva". Em que frases como estas contribuiriam para seu cotidiano? Aprender a ler e escrever para quê?
    Uma mudança seria eminentemente necessária.
    As atividades apresentadas a eles também eram desmotivantes ao processo, pois traziam suas respostas prontas, sem a necessidade de uma reflexão sobre o assunto. Apesar de que não havia o que um adulto, trabalhador, assalariado pudesse analisar em frases - desprovidas de informação - como as acima citadas. Então, realmente as práticas envolvendo a alfabetização de adultos estavam desvinculadas da realidade de seus educandos.
    Paulo Freire iniciou suas pesquisas de campo, e através delas pode confirmar que as metodologias e osmateriais didáticos utilizados, estavam desmotivando os alunos, que demoravam muito a apresentar resultados e acabavam abandonando os estudos. Após esta conclusão, Freire elaborou seu método, montou sua equipe e partiu para o desafio de alfabetizar para além das cartilhas.
    Para realização de seu trabalho, o educador deveria saber ouvir o educando em suas experiências e através delas elaborar seu roteiro de ação, apresentando materiais que apresentassem sentido para a vida dos alfabetizandos, proporcionando a eles ricos momentos de reflexão, durante os "circulos de cultura" - nomenclatura utilizada por Freire para apresentar essa fase do método.
    Os resultados foram surpreendentes, os alunos foram alfabetizados em pouco tempo e apenas um se evadiu, evidenciando o sucesso do método. Então, várias novas cartilhas que estimulavam o pensar crítico e consciente foram elaboradas - todavia foram presas ainda na gráfica.
    E Freire foi exilado por vários anos, fato que não o impediu de continuar sua luta por uma nova proposta educacional em território brasileiro - uma educação transformadora.
    Ao retornar ao Brasil, Paulo deu continuidade aos seus trabalhos e transformando por onde passasse, a forma de pensar de muitos oprimidos.
    Faleceu vítima de um enfarto, deixando várias obras literárias que tanto contribuíram e contribuem para a educação em nível mundial.
    Em seu legado Freire enfatiza a educação como prática de libertar o ser humano das amarras impostas por interesses pessoais e políticos, proporcionando a educadores reflexões a respeito de suas responsabilidades enquanto mediadores de conhecimento, livre de alienações que descaracterizam uma educação significativa e contrapõem a "formação de um cidadão crítico e consciente" - objetivo maior do processo educacional vigente.

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